jung haziel

❝Old foxes are hard to trap❞


beginning


Não se sabe ao certo quando a história da lenda da raposa começou, mas há suspeitas de que se deu início por volta do século IV d.C, quando as primeiras famílias da linhagem de Kitsunes foram formadas. Em uma repleta de raposas de índoles muito más e traiçoeiras, uma Kyuubi no Kitsune – também conhecida como Raposa de Nove Caudas –, nascera. Filho daquela que diziam ser uma das abençoadas pela deusa Amaterasu, a Deusa do sol, e de um homem sábio de poucas palavras, Haziel desenvolveu uma enorme gentileza e um coração muito puro, diferente de seus entes queridos. A inveja envolvendo seu grande poder e a forma “inocente”, segundo seus familiares, na qual era utilizado, despertou a ira da família Jung, que após diversas tentativas fracassadas de converter a Kyuubi para o lado sombrio, jurou deserdar o pequeno de vez, como se descartam as frutas podres de um cesto. Todavia, o primo mais próximo do jovem e uma das raposas mais perversas da família, queria muito além.

Certo de que aquele poder deveria ser seu, Valac fez um contrato com um demônio poderoso, que lhe prometeu não só os poderes de Haziel, mas também a sua morte, em troca de sua alma. Tudo o que deveria fazer era perfurar seu coração com uma Jumonji Yari – certa lança oriental antiga – amaldiçoada. Foi no enorme jardim da família, na frente de seus pais e debaixo do luar, que o coração de Haziel foi perfurado pelo próprio primo. A fúria, pela primeira vez, tomou conta do pai que sem pensar duas vezes, atacou a Raposa com todo o seu poder. A mãe, mantendo o diminuto em seus braços e procurando curá-lo de todas as formas possíveis com toda a fé que uma progenitora pode possuir, chorava copiosa e compulsivamente. Naquele momento, o céu se compadeceu com sua tristeza, chorando junto com ela. Ali, desabou a chuva mais intensa que o Japão Imperial pôde presenciar.

Não se sabe o que se passou na mente da mulher no momento. Não é uma tarefa fácil descrever o sentimento da perda de um filho em palavras curtas de uma lenda, mas a sanidade da Raposa mais dócil da linhagem, morreu ali, junto com seu filho. Enquanto tentava de maneira incansável trazê-lo de volta, pai e sobrinho travavam uma batalha árdua, que nenhum outro familiar ousou interferir, muito menos o pai do jovem que era, por infelicidade do destino, irmão do homem mais velho. A mulher apenas parou de lacrimejar quando ouviu o último grito do marido por trás dos ombros. O corpo do pai foi o segundo a despencar no chão, após ser atingido pela mesma lâmina que tirou a vida do filho momentos antes. Os dígitos gentis da mãe apenas tiveram tempo para acariciar a tez alva e fria do menino uma última vez, antes de ser atingida fatalmente por trás. Em nenhum momento, deixou de olhar para seu filho.

O sangue dos dois misturou-se na derme pálida e porcelana da Kyuubi, fazendo até mesmo com que aquela cena horrenda, possuísse sua beleza. Ninguém, até hoje, sabe dizer ao certo o motivo do resto da família não ter interferido no banho de sangue. Talvez aquele momento fora o único em que as Kitsunes sentiram remorso ou culpa, por toda a negligência que haviam cometido. Possivelmente, arrependiam-se da ganância e do pecado que destruiu aquela família. Se importaram tanto com títulos e o prestígio de serem temidos que ficaram cegos, como se espinhos lhe espetassem os olhos, sem a noção de que a única podridão daquela família eram eles mesmos. A valorização e honra pareciam desconsertadas e artificiais. Sentiam-se não só sujos, mas incapazes. Eles haviam fracassado. Falhado com eles mesmos. Falhado como uma família.

De supetão, a lua tornou-se escarlate, como todo o sangue que havia sido jorrado no jardim das cerejeiras. Era como se o sol estivesse ali por detrás, nas entranhas daquela noite sombria, quebrando com toda sua divindade as leis naturais quando interveio impiedosamente na vida da Terra. Amaterasu observava. Sim, ela via tudo. E sua ira foi brutal. Segundo a lenda, o ódio da Deusa foi tão selvagem e a revolta pelo que aconteceu com seus protegidos foi tão grande que um círculo de fogo cercou Valac e os cadáveres no jardim sangrento, sendo logo em seguida o corpo de Haziel tomado por uma chama tão intensa e bela que hipnotizou todos os que estavam ali presentes. Ele incandescia, mas não era queimado. A jovem Kyuubi era agora, em sua plenitude, completamente divina.

Como se despertasse de um sono profundo, a Raposa que agora possuía as madeixas acobreadas como pôr-do-sol, se reerguia cambaleante, bastante confusa e sem memória alguma. O destino que Amaterasu decidiu para Valac, entretanto, foi obscuro. O desespero lhe consumiu quando o solo em que pisava começou a deslizar para cima de suas pernas, tomando por completo seu corpo até transformá-lo em uma escultura de lama e pedra. De acordo com a lenda, era possível ouvir claramente o grito das almas tomadas pelo demônio possuindo o corpo da Raposa perversa, arrastando o seu espírito consigo para o inferno e deixando para trás apenas a casca de seu corpo, vazia e empedrada.

Alguns dizem, porém, que o próprio Haziel transformou Valac em pedra, fruto da vingança de uma maldade sombria que agora residia sublime em seu coração, criada quando fora perfurado pela lâmina do demônio. Já outros acreditam fielmente de que foi tudo obra da própria Deusa. Apenas os dois, e os deuses, sabem o que aconteceu de fato dentro daquele círculo. A lenda se difundiu entre as famílias, até o nome de seus representantes ser ocultado pelo sigilo de toda a mancha sangrenta que acompanha os descendentes da antiga realeza. Tudo o que é sabido nos tempos atuais é que a Kyuubi vive sem lembranças ou resquícios de seus poderes entre os mortais, graças a um de seus primos de bom coração, que preencheu sua mente de memórias boas, apesar de falsas.

nowadays


O primo da Raposa, Ayato, se tornou responsável pela mesma, se prontificando a abandonar a própria família para acompanhar Haziel durante toda a sua jornada até que se tornasse fisicamente desenvolvido o suficiente para que fosse capaz de cuidar de si mesmo, uma vez que Kitsunes possuem vida eterna e um envelhecimento mais lento do que o corpo de um ser humano comum. Por conta disso, o mais velho modificou suas lembranças e as de outras pessoas para inseri-lo em uma nova família; assim, ele acreditava pertencer a outros pais, e que seu primo, Ayato, estava sempre com ele. O processo se repetiu por séculos: sempre que Haziel passava muito tempo sem envelhecer e começava a questionar a própria existência, o responsável criava novas memórias, uma nova família, e um novo propósito. Tempos depois, para que não fosse causada nenhuma desconfiança, a Raposa mais velha decidiu se mudar para Seul, levando o menor consigo, afim de construir uma nova vida na capital sul-coreana.

Na Coréia, já no século atual, os rapazes foram para um orfanato, com uma nova história na mente de Haziel, que agora acreditava que seus pais haviam morrido em um acidente de carro e que seu primo era o único parente restante. Ambos menores de idade aos olhos mortais, uma casa de adoção acolheu os dois e por “sorte”, ou talvez, obra das manipulações mentais de Ayato, um casal decidiu adotar os dois juntos. Foi a penúltima família que seu primo decidiu acompanhar-lhe. Quando o ruivo já estava fisicamente aparentando seus dezoito anos, o mais velho o colocou em sua família atual. Agora, as memórias em sua mente são as únicas que ele acredita serem a verdade absoluta; Haziel é filho de uma comissária de bordo e de um piloto de avião. Por conta de seus trabalhos, eles vivem em viagens e, infelizmente, a Raposa não pode acompanha-los. Como mora de certa forma sozinho, fez amizade com os animais de estimação da vizinhança pelos quais preza muito, principalmente um gato preto em especial.

A primeira vez que conheceu o felino foi em uma das mais improváveis situações; Haziel estava indo a um bar com seu amigo – algo raro, uma vez que o ruivo é um ser completamente caseiro – que havia perdido sua namorada. Nos braços de um assassino de aluguel – fato desconhecido pelo ruivo – o gatinho se aninhava, apesar de não estar se sentindo bem. Quando seus olhos se encontraram com o do animal, um sentimento inexplicável e voraz tomou conta de seu corpo, modificando sua vida para sempre: se tratava de seu truemate. Haziel achou no momento estar tendo uma crise, que de vez em quando sofre devido à sua ansiedade. Entretanto, a ansiedade que ele pensa ter é, na verdade, seus instintos de Kitsune, que lutam todos os anos para serem lembrados e assumidos de uma vez. Por conta das memórias criadas por Ayato, nada daquilo passa para ele de um desconforto psicológico no qual, inclusive, toma medicações para controlar.

Nos dias de hoje ele vive sozinho em uma casa simples, porém confortável. Se formou em astronomia, tornando-se não muito depois, professor de uma das universidades mais prestigiadas de Seul. Seu primo, Ayato, decidiu deixa-lo viver por conta própria, lhe restando apenas as últimas memórias daquela sua família. O primo começou a construir sua própria vida e se tornou um grande e bem-sucedido CEO. Haziel, contudo, prefere ficar longe dos holofotes. Ele ama os animais, jovens e crianças, e não se contentando apenas em lecionar em universidades, o ruivo também realiza aulas particulares e de reforço para todas as idades, ensinando da mais básica ciência para crianças até os mistérios mais complexos do universo, para os mais velhos. Ele ama o que faz e ama qualquer ser vivo, se empenhando para ajudar todos ao máximo. Por mais gentil e romântico que possa ser, Haziel não faz ideia, mas o gato preto que se trata do seu truemate chama-se Lee Nagini e estuda na mesma universidade em que ele leciona. Eles, inclusive, são grandes amigos. Apesar de estar sempre jovem e dificilmente adoecer, Haziel ainda não faz ideia de suas origens, nem de seu verdadeiro propósito. Hoje, ele vive uma vida comum, enquanto seus poderes lendários, permanecem adormecidos.

plot infos


O plot do Haziel (@097FOX) faz parte do universo de outros personagens, ou seja, é um plot conjunto onde a história dos outros possui ligação direta ou indireta com a dele. Para entendê-los e compreender um pouco mais o plot do próprio Haziel, leia também:

• Lee Nagini (@095KTTN)
• Kim Caleb (@lycanthium)
• Nakamoto Ayato (@95KNIVES)